terça-feira, 5 de junho de 2012

Felicidade é um sentimento simples !

FELICIDADE REALISTA 
(Mário Quintana) 

      A princípio bastaria ter saúde , dinheiro e amor , o que já é um pacote louvável , mas nossos desejos são ainda mais complexos . Não basta que a gente esteja sem febre: queremos , além de saúde , ser magérrimos , sarados , irresistíveis . Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel , a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas . E quanto ao amor? Ah , o amor . . . não basta termos alguém com quem podemos conversar , dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando . Isso é pensar pequeno: queremos AMOR , todinho maiúsculo . 
   Queremos estar visceralmente apaixonados , queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados , queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo , queremos sexo selvagem e diário , queremos ser felizes assim e não de outro jeito . É o que dá ver tanta televisão . . Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista . Ter um parceiro constante pode ou não , ser sinônimo de felicidade . Você pode ser feliz solteiro , feliz com uns romances ocasionais , feliz com um parceiro , feliz sem nenhum .. Não existe amor minúsculo , principalmente quando se trata de amor próprio .Dinheiro é uma benção . Quem tem , precisa aproveitá-lo , gastá-lo , usufruí-lo . 
     Não perder tempo juntando , juntando , juntando . Apenas o suficiente para se sentir seguro , mas não aprisionado . E se a gente tem pouco , é com este pouco que vai tentar segurar a onda , buscando coisas que saiam de graça , como um pouco de humor , um pouco de fé e um pouco de criatividade . Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável . Fazer exercícios sem almejar passarelas , trabalhar sem almejar o estrelato , amar sem almejar o eterno . Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo , buscar lá dentro o que nos mobiliza , instiga e conduz , mas sem exigir-se desumanamente . . A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio . Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade . Se a meta está alta demais , reduza-a . Se você não está de acordo com as regras , demita-se . Invente seu próprio jogo . Faça o que for necessário para ser feliz . 

     Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples , você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade . Ela transmite paz e não sentimentos fortes , que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração . Isso pode ser alegria , paixão , entusiasmo , mas não felicidade . 

quinta-feira, 22 de março de 2012

O caminho de volta....


       Esse texto  nos faz  pensar sobre  nossa vida, nessa  fase  de  transição  que  todos  estamos  passando , é  uma  luz no final do tunel . Hoje em dia estamos todos  sendo obrigados  a    encontrar o que  existe  de  mais  importante   dentro de nos,  para  fazermos  uma  escolha  e  fazer diferente do que  estavamos  acostumados  a fazer,  e   essa  caminhada não  esta  fácil, é  assustadora  as  vezes. A era  da  superficialidade  esta se  transformando  numa era  de  profundidade  .  Passamos por  uma fase  transitória  que  vai  nos  transformar  em  seres  humanos  melhores , mais  conectados  com Deus  e com nós  mesmos  ,  menos sensivel  ao que   nossa  sociedade meio hipocria prega .Precisamos  ter  fé  em  Deus  e em nós  mesmos que  tudo vai dar  certo.


                           Os Mensageiros da Eternidade

Nós, os sensíveis, temos a luz brilhando dentro de nós. A nossa sabedoria muitas vezes pode ser confundida com a loucura por pessoas de mentira... por aquelas pessoas que vivem presas a um mundo automático.

Nós, os sentimentais, os alquimistas, os arrependidos pelos erros, os filhos amados que foram deixados pra trás num deserto, os que têm fé inabalável, os sonhadores, os loucos de amor, muitas vezes, já fomos considerados as ovelhas negras da família,mas, os nossos sentimentos profundos como o mar, nos transformaram aos poucos em cordeiros mansos que pastam felizes pelos campos verdes.

Dentro de nós ardem paixões interiores capazes de derreter qualquer geleira. Nós já morremos incontáveis vezes, já renascemos outras tantas mais fortes, mais determinados em encontrar a nossa felicidade.

Nós, os sensíveis, somos invencíveis pelas lágrimas e imbatíveis pelo sorriso. Muitos de nós, os sensíveis, carregamos na alma e até no corpo, marcas da nossa paixão pela vida. Do mais fraco ao mais forte, do mais bonito ao mais feio.

Não somos medidos pela nossa formosura ou pela grandeza do nosso corpo, mas, somos admirados pelo poder do nosso coração, pela força que emanamos de dentro de nosso olhar...e as pessoas de mentira ficam sem entender como nós, os sensíveis, conseguimos ter tanto poder!

Nós, os sensíveis, estamos aqui para fazer a diferença. Ninguém nos conhece pela superfície, mas, pela profundidade de nossos bons pensamentos.

Não somos santos, mas, somos anjos. Não somos perfeitos, mas, é na nossa imperfeição que mostramos nossas maiores virtudes. Não é pela casca que queremos ser conhecidos.

Queremos um relacionamento íntimo com tudo e com todos que nos cercam. Podemos errar...fracassar em quase tudo, mas, jamais fracassaremos como seres humanos.
Somos imcompreendidos, porque muitas vezes não sabemos expressar quem somos de verdade.

Ainda que o nosso corpo envelheça e fique doente...nada pode tocar o coração de um sensível senão a mão do Supremo Criador.

Nós, os sensíveis... mesmo de longe nos juntamos em espírito num coral para cantar uma canção que curará toda pessoa de mentira. Por alguns instantes o mundo parará para ouvir o nosso canto e se apaziguará por alguns poucos momentos... E por alguns momentos, elas, também, vão ser sensíveis como nós... quando perceberem que no rosto do outro está o espelho de sua própria face.

Nós, os sensíveis, temos o dom de sentir o que os outros sentem...de traduzir seus pensamentos... porque nosso coração capta o que os outros corações transmitem... mas, nós, somos uma brasa viva no meio da neve... ou um oásis no meio do deserto.
Estamos aqui para mostrar aos outros que a alma existe... que a matéria passará. Mas que temos vida para todo o sempre.

Somos "aprendizes" da sabedoria universal. Acreditamos num Deus comum a todos seres humanos. Num Deus que habita todas as religiões. Num abraço do sensível está a graça do Universo.

Nós, os sensíveis, somos os mensageiros da eternidade...

André Aquino

domingo, 30 de outubro de 2011

Para reflexão: Fardos Inúteis !


   Aprender  a  administrar esses fardos , é a chave para se ter  uma vida mais  feliz , mais consciente,  e eu  sei que é  muito dificil,   é  como um recomeço , um  verdadeiro   renascimento  quando esse entendimento começa a acontecer , e  as  vezes corremos  o  risco de  passar  nossa  vida  toda para  entender , esses  fardos ! 

 `Na vida, todos carregamos conosco as nossas responsabilidades, sonhos, frustrações, esperanças, medos, lembranças. E muitas dessas cargas tornam-se fardos que, além de pesados, são absolutamente inúteis, porque não faremos nenhum uso positivo ou construtivo deles; eles só se destinam a nos cansar, a nos dificultar a caminhada, a nos sobrecarregar de emoções negativas e depressivas. São fardos inúteis, os ressentimentos de várias naturezas, o conjunto de temores que cultivamos em relação aos perigos imaginários.
Conta uma lenda, que dois monges que atravessavam uma área deserta quando diante de um rio violento, avistaram uma linda jovem que tentava atravessá-lo sem sucesso.  Um dos monges, não sem dificuldades, atravessou o rio e colocando a mulher em suas costas conseguiu atravessar o rio em segurança.
A jovem abraçou-o agradecida, comovida com o seu gesto e seguiu seu caminho.
Retomando a jornada, o outro monge que assistiu a tudo calado repreendeu o amigo,
falando do contato carnal que houve com aquela jovem, da tentação de ter aquele contato mais direto com uma mulher, o que era proibido pelas suas leis. E durante um bom trecho do caminho, esse monge falou sobre a mulher e sobre o pecado cometido até que aquele que ajudou a jovem na travessia falou: "querido amigo, eu atravessei o rio com a jovem lá eu a deixei, mas você ainda continua carregando-a em seus pensamentos. 
Levamos nossas dores e frustrações ao extremo.
Dramatizamos demais,elevamos ao cubo cada dor, cada ofensa, cada contrariedade e por isso, não conseguimos relaxar, perdoar ou mesmo ser feliz, pois o peso que vamos acumulando em nossas costas
são demais para qualquer cristão.

Desarme-se.dos velhos pensamentos,do espírito da revolta, da tristeza.
Hoje é dia de desmontar o velho acampamento do comodismo e seguir adiante na longa jornada que a vida apresenta. Quanto mais leve a sua mochila,
mais fácil a subida rumo a felicidade.
  ``Ouvimos todo o sempre que Deus não nos dá fardos maiores que aqueles que podemos suportar, e muitos dos nossos fardos já poderiam estar abandonados em outras curvas da vida, mas nós insistimos em carregá-los. 
Quais são os fardos que você continua carregando  e que já não estão mais com você? Por que você não consegue perdoar quem lhe magoou? 

Quantas oportunidades você anda deixando para trás por estar amarrado ao passado?
Liberte-se do que te oprime. Se tem o que perdoar, perdoe, mas perdoe esquecendo-se para todo o sempre o que passou.  A vida é uma estrada comprida... Não dá para seguir viagem carregando fardos inúteis. E o rancor, as desilusões, o que era para ter sido e não foi, pesam demais para qualquer pessoa.  Liberte-se! É tempo de seguir viagem. O tempo de ser feliz é agora. Sorria! O dia está nascendo mais uma vez e é todo seu, se você acreditar, se não duvidar e se deixar amar. O dia é todo seu.

 Viva um dia de cada vez sem carregar fardos inuteis! 

sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs .


    Essas  foram  , praticamente , as  ultimas palavras  de  um homem que  acaba de  falecer  com cancer  no pancreas,  que   possuía 8 Bilhões de dolarers em sua  conta  bancaria !

 Faz  a gente  pensar  sobre  a  vida  que  a  gente  leva , no primeiro paragrafo ele fala  dos  tijolos  que  Deus  manda  sobre  a  gente para  fazer  a  gente  parar  de  seguir  um  determinado  caminho, mas  acho que  no caso dele  não foi  suficiente,  e  ele  continuou....o que  a  gente  sabe  fazer  bem, e  adoramos  fazer  , as vezes  não é  o  que  Deus  reservou  para  agente, se  estamos  numa  caminhada   para  aprendermos  alguma coisa  , então teremos  que fazer e  aprender  coisas  que  ainda  não fazemos  bem ,e que  as  vezes nos  sentimos inadequados fazendo,,,  lembra  que   a vida é  um eterno  aprendizado..
Seguir  nossa  intuição, nossa  voz  interior , exige  muita  coragem,  sermos  realmente o que temos la  no fundo  da alma  , expressar nossa natureza  interior, é  muito dificil nos  dias  de  hoje  , por  causa do barulho e dos  valores  que  o  sistema impregna  nossas  mentes, ser  isso  ou  ser  aquilo, fazer isso ou aquilo , porque  a  maioria faz  ou  é , só porque  uma  maioria  o  faz ,,, esta  errado,  temos  que  ser  mais  autênticos  e  comprometidos  com  nosso  eu  interior..

 Não estou aqui julgando, nem condenando, na vida se tem o livre  arbítrio para  se  fazer com ela  o que  se  quer  ,,, mas eu  acho que faltou um pouco de Deus na  vida  dele !

 Reflitam sobre as palavras  dele:( palestra feita  em 2005, 1 ano depois de descobrir o cancer)


“Às vezes a vida te bate com um tijolo na cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez continuar foi que eu amava o que eu fazia. Você precisa encontrar o que você ama. E isso vale para o seu trabalho e para seus amores.Seu trabalho irá tomar uma grande parte da sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz. Caso você ainda não tenha encontrado[ o que gosta de fazer], continue procurando. Não pare. Do mesmo modo como todos os problemas do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer relacionamento longo, só fica melhor e melhor ao longo dos anos. Por isso, continue procurando até encontrar, não pare"

"Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de achar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração", diz. "Tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você quer se tornar."

"Você tem que descobrir o que você ama. E isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama."

"Você não pode conectar os pontos olhando adiante, você só pode conectá-los olhando para trás. Então, você tem que confiar que os pontos vão se conectar de alguma forma no seu futuro. Você tem que confiar em alguma coisa: seu Deus, destino, vida, carma, seja o que for. Acreditar que os pontos vão se ligar em algum momento vai dar confiança para você seguir seu coração, mesmo que ele o leve para um caminho diferente do previsto."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

´´Fazemo-nos livres na medida em que assumimos e aceitamos que não o somos ``

      Definir a palavra «intimidade» não é simples, e a sociedade em que vivemos tem se encarregado de dá-lhe distintos significados, provocando um problema de semântica. Por exemplo, a Casa Branca fala de «ceias íntimas» de 300 pessoas; os predicadores nos prevêem da «intimidade pré-matrimonial»; a moda de Hollywood nos vende «vestuário íntimo»; e as revistas nos oferecem testes para desenvolver nossas «habilidades para intimar».

Há duas maneiras de despojar de sentido a uma palavra. Uma, dá-lhe um só e único significado. Outra, dá-lhe um significado demasiado amplo e generalizado. Como uma palavra multiusos, que acaba por esvaziar-se de conteúdo. Isto tem acontecido com o conceito de intimidade, que tem sido possuído e domesticado.

Por isso, nossa primeira tarefa nesta viagem não é a de aprender, senão desaprender, já que, muito provavelmente a maioria de nós tem sucumbido ante alguma atrativa imitação da intimidade, que ao final tem resultado cruelmente decepcionante.
Nossa esperança oculta é, todavia, que o entendimento nos libere da ansiedade. Assim que procuramos úteis e breves definições. Assistimos a conferencias, compramos discos compactos e lemos livros. Confiamos que talvez eles nos digam o que precisamos saber. Se pudermos obter algumas definições interessantes, ficaremos satisfeitos. Com os nossos novos conhecimentos convenientemente acomodados na nossa pasta, o tema das relações parece mais manejável, ou menos ameaçante. E se tudo isso falhar, sempre poderemos utilizar esta informação como uma arma. Uma das formas mais fáceis para evadir os nossos próprios temores é projetar nossas limitações nos demais. E podemos fazê-lo com o pretexto de «ajudar»: «olha o que eu sei sobre como devem ser as relações», o que significa «olha o que tenho que te dizer para te ajudar a mudar tua vida», o que se converte em um substituto da nossa própria luta e admissão de nossa própria necessidade.

Há uma sensação de poder e controle quando pensamos que temos definido algo em particular. Dá a sensação de ter chegado a uma conclusão. A ironia, por suposto é que o terreno fértil para a intimidade é a vulnerabilidade, ou a debilidade. A vulnerabilidade é uma postura de abertura. A conclusão (ou controle) é sua antítese. Nesta viagem para as relações será importante identificar aquelas formas em que nos fechamos e mirar as falsas imitações da intimidade às que todos estamos expostos.

Se tal for o caso, então a nossa tarefa inicial não é definir a intimidade (chegar a conclusões) senão liberá-la de definições irreais e enganosas. A mudança e o crescimento não são só assunto de agregar mais informação, mais reflexão, senão de desfazer-se de aquilo que possa resultar falso e enfermo.

A equação entre o Real e o Útil 
Nosso problema começa com o fato de acreditar a nossa cultura ocidental quando diz que «nada é suficiente». Como conseqüência, nossa percepção do que é «real» está distorcida. Na nossa cultura, algo é real se tem valor mercantil, se é útil, se tem um uso prático.

Thomas Merton oferece uma analogia que nos pode ajudar. Sentado a sós na floresta com sua lanterna marca Coleman, se confronta com o fato de que Coleman tem construído sua lanterna com uma intenção prática que vai mais além de simplesmente iluminar. A caixa da embalagem indica que a lanterna «alonga os dias para dar mais horas de diversão». E Merton se pergunta: Acaso não posso só sentar-me na floresta sem um motivo especial? E continua dizendo que, de fato, «Não estamos tendo diversão, não estamos "tendo" nada. Não estamos "alongando nos nossos dias", e se tivéssemos diversão, não se mediria por horas. Ainda que no final isso seja o que a diversão parece ser: um estado de excitação difusa que pode ser medida pelo relógio, e ser "alongado" por um aparelho».

Nesta situação, onde o real é definido pelo prático, temos perdido a liberdade. A vida e as relações já não podem se comemorar, só pode vencer-se, conquistar ou manipular.

Em conseqüência, tendemos a perguntar-nos sobre qualquer de nossas relações: De quê me serve neste momento? Ou, quê me aporta? Ou, me faz feliz? Ou, se não tem nenhum valor, para quê mantê-la?
Com esta ilusão acerca da realidade, começamos uma batalha na frente equivocada. A intimidade, como todos os assuntos que tem a ver com o crescimento pessoal, se converte em algo externo. 

Esta idéia é a que nos impede contatar com a intimidade (ou nosso ser verdadeiro) porque tendemos a ver as relações desde a nossa postura de controle, assumindo que nós somos os que sabemos, que a vida é cor de rosa e a outra pessoa sempre é a que tem o problema, e onde dois mais dois é sempre igual a quatro. A fórmula sempre funciona. A relação sempre produz o resultado esperado. Queremos que nossas relações sejam como o slogan dos autos Honda: «Se apaixona sem pagar o preço… Este carro se parece muito ao que deseja, te faz feliz sem te pedir nada».

Ganharemos uma melhor perspectiva na batalha quando entendamos aos nossos inimigos. Quais são os obstáculos que nos impedem enfrentar-nos conosco? Quais são as ilusões que permitem dar-nos o luxo de distanciar-nos porque nós «sim entendemos»? Qual é a falsa idéia que nos impede mostrar-nos tal qual somos e poder confiar? Quê há em nós que nos faz procurar redefinir o amor e as relações em termos que resultem mais fáceis de assimilar? 

Temos de sinalar, embora, que nesta atração para as falsas idéias sobre as relações, não existe necessariamente uma intenção de enganar, senão melhor a necessidade de proteger-nos em contra do desconhecido, não de maneira calculada e cruel, senão movidos pelo temor. O temor de passar da comodidade ao crescimento, e da seguridade à maturidade.

A necessidade de fugir da Fragilidade 
Assim, pois, nosso ser real se oculta e um «eu falso» se mostra em seu lugar. Não é de surpreender que algumas questões em nossa cultura resultem um tabu, como a morte, o sexo, Deus e a alma.

Por quê? Porque estes assuntos desafiam nossa capacidade para manter o controle. Confrontam-nos com a nossa humanidade, a nossa vulnerabilidade, a nossa solidão e a nossa necessidade. Pela mesma razão, evitamos confrontar a presença real que surge no silencio. E nos construímos uma visão do mundo que seja manejável, e aparentemente menos ameaçante. Se formos capazes de conter a vida em áreas como a intimidade e as relações, podemos estar razoavelmente convencidos de que estamos no controle. E podemos evitar, ao menos parcialmente, a inevitável confrontação com a nossa fragilidade, a nossa debilidade, a nossa nudez, a nossa solidão e a nossa escravidão.

Em uma entrevista ao magnata de Playboy vemos uma ilustração da nossa constante necessidade de construir uma proteção contra nossa vulnerabilidade. Em dita entrevista se diz que esta pessoa tem feito o necessário para manter inumeráveis aventuras sem estar nunca cerca do altar. Aos 60 anos, ele estima ter dormido com cerca de mil mulheres sem ter caído no cativeiro conjugal. «Talvez é que estou me volvendo mais romântico», e agrega com um sorriso, «não tenho tido muitas noites solitárias nos últimos 30 anos». Este amo das coelhinhas ainda acredita na inocência, especialmente a sua. 

Do mesmo modo nas nossas vidas, se não enfrentarmos as falsas imitações da intimidade que nos espreitam, perpetuamos uma mentira, não com má intenção, mas o resultado é o mesmo: a não autenticidade. Enganou-me a mim mesmo ao acreditar que estou participando em algo que, de fato, estou evitando. Com uma intenção cruel ou calculada? Não. Como fruto do temor? Sim.
Em conseqüência, já não se trata de aprender definições corretas, ou de dominar a habilidade para ser um bom conversador e atrair ao sexo oposto, ou de ser reconhecidos por nossa capacidade de escuta e empatia, ou de obter uma alta pontuação no último teste sobre relações interpessoais. De fato, não é tão fácil como isso. Esta viagem para se volver real começa com a aceitação de um fato difícil: «Fazemo-nos livres na medida em que assumimos e aceitamos que não o somos». 

Este é o primeiro passo para o crescimento, para a mudança. Para voltar a casa devemos admitir que estamos longe dela. Para aprender sobre as relações devemos reconhecer as falsas imitações às que nos aferramos.

Que são estas imitações e por que este passo resulta tão difícil? Trata-se de mirar de frente nossas adições e compulsões, nossa voracidade (nunca nada é suficiente), e nossas idealizações bem construídas acerca do que deveria ser a intimidade e as relações autênticas, que levantam uma barreira ao nosso eu real, assim como à possibilidade de um diálogo verdadeiro.
Tais imagens se constroem sobre sistemas de crenças deficientes, ou equaciones incompletas. Em nossa necessidade de cercania e conforto, somos susceptíveis a qualquer quantidade de farsas ou experiências que completem a frase «A intimidade é…».

Adaptado por: Laura Ríos
Tomado de: Hershey, T. (1990). Go Away, Come Closer. EUA. Word Publishing

sábado, 10 de setembro de 2011

A Alma , nosso sexto sentido.

Recebi  este  texto por  email,  e  resolvi  publica-lo.Achei interessante.    

Se estivermos no caminho espiritual, vamos ter que batalhar. Não é fácil. É difícil abandonar nossos medos, é difícil parar de ter inveja, é difícil ficarmos trabalhando em nós mesmos todo o tempo.( é  foda  mesmo)

A parte mais difícil é enxergar – enxergar a verdadeira realidade. Quantas vezes olhamos para trás, para uma amizade ou um relacionamento amoroso rompido e pensamos com nossos botões: “O que foi que eu vi naquela pessoa?”.

A verdade é que não enxergamos ,“os olhos não conseguem perceber tudo”.

Isso porque estamos presos no momento, presos na ilusão dos cinco sentidos.
Então, qual é a resposta? Como desvencilhamo-nos desta armadilha?
Descascamos as camadas do nosso ego.
Meu mestre,  Rav Berg, diz que nossa alma é como um abajur que cobrimos com camadas de véus. Nossa natureza egoísta oculta a Luz dentro de nós. Eu, eu, eu, eu, eu. “Não acredito que ele me disse aquilo”. “O que eles vão pensar de mim?” “Olhe para mim, sou ótimo”. “Olhe para mim, sou patético”.

Estarmos constantemente obcecados conosco nos impede de enxergar o que realmente está acontecendo.

Somente quando removemos nosso ego, pedaço por pedaço, somos capazes de enxergar a verdade nas situações e nas pessoas. ( é  o  caminho do  reencontro com nosso eu verdadeiro, nossa alma , nossa divindade ,que é o pedaçinho de  Deus está dentro de nós  )

O segredo é enxergar os outros em primeiro lugar , para  enxergar-nos depois, pois Deus, coloca  pessoas em nossa volta   , para nos  ajudar a aprender,  o que não conseguimos ver, em nós . Somente então poderemos ter o mérito de nos elevar acima das limitações dos cinco sentidos e ligar o nosso sexto sentido.

O que é exatamente o sexto sentido? É a capacidade de enxergar algo que nunca tínhamos visto antes; de conseguir num relance a resposta para perguntas a muito tempo  formuladas , que  estavam  sem  respostas.

Afinal de contas, queremos aprender a receber. E recebemos não através do intelecto, mas através da conexão com a Luz.( essa luz , pra  mim , é a  sabedoria  divina ,que esta em  nossa  alma , )

Atualmente , as forças do universo estão nos impulsionando a enxergar o nosso propósito; a perceber aquilo que normalmente nos escapa. Recebemos a oportunidade de ver aquilo para o que normalmente somos cegos, simplesmente deixando de lado o nosso ego.
As seguintes ferramentas podem nos ajudar a nos conectar com esta influência positiva:

• O compartilhar transformador
• Sair da zona de conforto
• Remover o interesse pessoal

E como sempre, escanear  a alegria que o nosso Criador planeja para nós.
Experimente fazer isso – você vai gostar do resultado.

Tudo de bom,

Yehuda Berg

sábado, 16 de julho de 2011

Um texto de Eliane Brum.


Meu filho, você não merece nada
 
 
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)